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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Uso de Cannabis Medicinal no Reino Unido

Uso de Cannabis sativa e seus constituintes ganha amplitude. Notícia divulgada hoje no jornal Folha de S. Paulo on-line, diz que cápsula a base de canabidiol, um dos constituintes da planta, ajuda pacientes com fobia social. Outra notícia conta que medicamento a base de Cannabis será utilizado no Reino Unido para tratar esclerose múltipla.

Uma substância extraída da maconha ajuda a tratar pacientes com fobia social. É o que mostram dois estudos inéditos da USP de Ribeirão Preto com pacientes que ingeriram cápsulas de canabidiol, um dos 400 compostos encontrados na erva. Em um dos trabalhos, dez pacientes foram avaliados por imagens do cérebro: após o consumo do remédio, as áreas cerebrais que são hiperativadas nos doentes tiveram atividade reduzida. Isso indica que a substância pode atuar diretamente na região e minimizar os sintomas desse tipo de fobia.

A outra pesquisa analisou os níveis de ansiedade de 36 pessoas que tiveram de falar em público -uma das situações mais complicadas para quem tem o transtorno. Todos tiveram de fazer um discurso de quatro minutos em frente a uma câmara -24 deles tinham a doença e 12 ingeriram canabidiol. Os voluntários com fobia social que tomaram a cápsula apresentaram sinais de ansiedade semelhantes aos dos saudáveis. Já os doentes que ingeriram placebo mantiveram os padrões de ansiedade causados pela fobia.

Os mecanismos de ação da substância ainda não são bem conhecidos pelos pesquisadores. Mas já se sabe que o canabidiol tem um efeito tranquilizante mesmo em pessoas saudáveis. A fobia social pode ser tratada com remédios e psicoterapia. Mas as drogas podem demorar até 20 dias para ter efeito e causar dependência.



“Nesse experimento, observamos o efeito com uma única dose, o que faz supor que o canabidiol tenha a vantagem de começar a agir de imediato”, diz o psiquiatra Antonio Zuardi, do departamento de neurociências e ciências do comportamento da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. Para os pesquisadores, os resultados também ajudam a explicar por que pacientes com transtornos de ansiedade fumam maconha com mais frequência do que a população geral. “Talvez eles não procurem a droga pelo “barato”, mas pela ação do canabidiol. Seria uma forma de automedicação. O problema é que eles consomem junto outras substâncias com efeitos negativos”, afirma José Alexandre Crippa, também psiquiatra da USP de Ribeirão Preto.

No Brasil, ainda não há autorização para o uso terapêutico de nenhuma substância derivada da cannabis.




No Reino Unido, medicamento à base de maconha vai tratar esclerose.

O Reino Unido aprovou na semana passada o uso de um medicamento à base de dois compostos da maconha para tratar sintomas da esclerose múltipla. A Espanha deve aprovar o uso até o final do ano. Para os pesquisadores brasileiros, o impacto político da decisão é “imenso” e pode ajudar no processo de autorização do uso medicinal da erva no Brasil.

Por aqui, a importação dos princípios ativos para pesquisa esbarra na burocracia e demora meses. “Há quem seja totalmente contra e outros querem liberação total. Não é por aí. Defendemos somente o uso medicinal. Esse remédio tem dosagem correta, não é como um baseado”, diz Crippa.

Defende-se a criação de uma agência brasileira para regular o uso medicinal da maconha. “Há 25 países que importam esse remédio para uso clínico ou para pesquisa. Mas, no Brasil, acham que não é bom”, ironiza Elisaldo Carlini, psicofarmacologista da Unifesp.

Pessoas que sofrem de esclerose múltipla não têm quase nenhuma escolha para o tratamento, que faz uso de analgésicos, antidepressivos e fisioterapia. A esclerose múltipla é uma doença neurodegenerativa irreversível, na qual o paciente perde o controle de seus músculos, os quais vão atrofiando e deixando o paciente aos poucos paralítico. É uma doença para a qual não existe cura, apenas medicamentos para minimizar os sintomas. Qualquer novo medicamento que possa minimizar o sofrimento de doentes com esclerose múltipla de maneira efetiva, sem riscos para a saúde, deve ser desenvolvido para uso clínico.

O mesmo vale para medicamentos que controlam a ansiedade excessiva, uma doença que muitas vezes requer a utilização de medicamentos que causam dependência e com o tempo perdem seus efeitos. O uso de canabidiol, que não é alucinógeno, deve ser investigado a fundo para que, se sua ação for comprovada, possa ser eventualmente utilizado no tratamento de ansiedade crônica.

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