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domingo, 7 de agosto de 2011

A importância da farmácia viva


A fitoterapia é uma importante opção terapêutica que se baseia em experiências populares via conhecimento empírico do uso tradicional de plantas medicinais passadas de geração a geração, sustentada nas comunidades humanas tradicionais, quilombolas, silvícolas... Porém, sem a aquiescência cientifica. No entanto, estima-se que setenta e cinco por cento das drogas derivadas de plantas em utilização no mundo foram descobertas a partir de indicações de populações tradicionais (CRBIO, 93).

Fontes arqueológicas e antropológicas confirmam fatos significativos quanto ao uso de plantas medicinais pelas civilizações antigas e em todo o decorrer da evolução da humanidade. Os assírios, por exemplo, conheciam cerca de duzentos e cinquenta mil espécies de plantas fitoterápicas.

As famosas Tabuinhas sumerianas registra o uso de erva curativa. Alexandre “o Grande”, costumava agregar aos seus despojos de guerra espécies vegetais medicinais. Aristóteles escreveu tratados sobre ervas com princípios de ações emolientes, adstringentes e antiespasmódicas.

A China atual reconhece cerca de cinco mil espécies de ervas medicinais, dos quais quatro mil delas já foram submetidas a algum tipo de estudo. A trigésima assembleia mundial de saúde (WHA-30-19) estabeleceu três diretrizes básicas, através das quais distribuiu seus princípios de ação.

No Brasil, pesquisas científicas comprovam que o país possui a maior biodiversidade do planeta e estudos mostram que sua utilização racional nos proporcionará importante qualidade de vida e riqueza sustentável às futuras gerações. Então, por que não as pesquisamos e as utilizamos?

Ademais, dados estatísticos comprovam que o Brasil importa atualmente sessenta por cento da matéria-prima utilizada pela indústria farmacêutica nacional, embora muitas destas substâncias ou similares poderiam ser encontradas na flora brasileira. Paradoxal, não? Cadê o incentivo à pesquisa cientifica?

É sabido que as relações do ser humano com as plantas medicinais datam das mais remotas épocas, e que no mundo moderno, uma busca ao natural, se confunde com a preocupação de nossas próprias raízes. Então, por que não rever com seriedade este tesouro natural e dele colher bons frutos? Entende-se que, no momento em que o ser humano manuseia seus próprios conhecimentos, estes se revigoram e trazem o beneficio que se estende a toda a comunidade.

Como diz Pires (1978), a história das plantas medicinais no Brasil mescla-se com a história da botânica e com sua própria história. Ao analisarmos a flora mato-grossense, e sua importância no contexto nacional, com certeza encontraremos um rol muito extenso de espécies vegetais autóctones, nativas de extrema importância à vida, e que são fartamente usadas na medicina caseira regional.

No entanto, com a recente e intensa pressão antrópica das últimas três décadas, sobre os ecossistemas mato-grossenses e amazônicos impondo destruição sem precedentes, a vida nesses ambientes, inúmeras espécies vegetais ou até mesmo populações inteiras são e serão dizimadas sem que haja a “priori” um estudo mais acurado deste importantíssimo potencial nativo.

Evitar a depredação desses recursos e resgatar esse imenso tesouro natural, em parte ainda desconhecido, é dever dos poderes constituídos e da sociedade humana como um todo.

Fomentar a pesquisa científica, implantar infraestrutura de apoio e estimular a criação coletiva de farmácias-vivas e hortas-caseiras seriam um bom começo.

*ROMILDO GONÇALVES é biólogo, mestre em Educação e Meio Ambiente, perito ambiental em Fogo Florestal e prof.-pesquisador da UFMT/Seduc

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